Mas ainda são limites, e se é corriqueiro testar as pessoas, um dia o preço fica caro, a última gota d'agua transborda tudo e a barragem se rompe.
E então, é o fim.
Ainda assim, sempre repetindo a verdade imutável: E tudo bem. Porque serve de trilha sinalizada de autoconhecimento, de evolução em passos pequenos mas constantes.
Algumas vezes, as pessoas gostam não da pessoa, mas da atenção constante, da certeza do sentimento, da emoção do conflito. Cada um oferece apenas o que tem, e sentir é um caleidoscópio infinito, em cores, gestos e sonoridade sempre misteriosamente inconstantes.
Gostamos de formas diferentes, somos todos seres diferentes, e as vezes a parede da indiferença disfarçada de silêncio não pode ser aberta.
Resta contornar, circular o caminho e seguir em frente.
Logo uma porta se abre, um poema se cria e uma razão fica inerte. Logo um passo se acalma, um coração se amansa e um querer se revela.
As vezes me parece que vivo em uma neurose entre o talento e o amor. Parece que sou dois: Luiz e Mário, buscando ora despir o peito e gritar, ora querendo vestir de novo a armadura do orgulho, e jogar tudo para o alto.
As vezes, o erro está em achar que vão nos gostar em mesma intensidade (ou até achar que só porque estão ali, gostam de verdade). Mas a vida é tão fantástica, que até isso ela ensina, dá em forma de sentimento um combustível para que o que se sente ensine a lição, e depois retire a agonia uma gota por vez, em formato de tempo que varre para fora da casa tudo o que não nos serve mais.
As vezes o erro, era querer (muito) que as pessoas fossem o que elas não são, achar que os outros iriam se esforçar para romper ciclos, quando muitas vezes eles se refugiam nos ciclos, culpando tudo e todos pelas próprias escolhas, se desresponsabilizando pelos próprios acontecimentos.
Shikata ga nai.
Não pode ser ajudado. Nada pode ser feito a respeito. E tudo bem. Terapie-se, jovem Luiz e velho Mário. A idade que eu tenho tem o nome de ser feliz o máximo que posso. E sou/vou.
No querer que fosse
o que na verdade não era
eu acabei sendo
o que não poderia ser
e no fim, não importava.
Eu quero ser flor
então jamais serei pedra.
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