26 de agosto de 2011

Agonia e vida

A noite agoniza.

Zumbis sonolentos

invadem a área do porto.

Arco-íris multicolorido acende a Praia da Vila.

Corpo apagado, meu dia não brilha.

Mãe, me deixa dormir!

Meu calvário já vai começar.

Meu blues agoniza.

Um último gole esvazia meu copo.

A fumaça do último cigarro,

na Zimba, some no ar.

Do Kinka’s Bar.

Mãe, me deixa dormir!

Meu calvário já vai começar.

Operários do porto

invadem meu sonho.

Meu quarto, minha noite.

Minha guitarra, minha paz:

minhas mulheres da beira do cais.

Mãe, me deixa dormir!

Meu calvário já vai começar.

Um quarto escuro remoça minha noite.

Fedor de cigarro.

O álcool em meu travesseiro.

Minha cama, meu disco de blues.

Sonhos noturnos, borboletas azuis.

Mãe, me deixa sonhar.

Me deixa minha noite.

Me deixa viver.

Luiz “Pi” de Freitas

Zimba, 21/08/05

19 de agosto de 2011

Leve

Bem leve vento

pra algum lugar onde a paz me alcançe

assim, livre das tensões,
passageiras comuns, de melodias agressivas

me leve, vento

mas, cuide, não me empurre!

preciso de timbres mais leves

assim, consigo simplicar meu labirinto...

Com calma voltarei a singrar todos os mares que me permitir


Bem leve...