21 de dezembro de 2012

Hipocrisia

Nada é mais limpo que a palavra sincera

Lúcida de enganos, transparente de não sou isso


Nada é mais claro que o dedo apontado

Esporádico em veneno apontado, nublado por não sou assim


Hipocrisia, me dê uma crise dessas pra comer.



Nada tem mais folego que o raciocínio voraz

Bêbado de certezas, opaco por natureza


Nada é mais sujo que o dedo apontado.

Certeiro em antídoto disforme, ensolarado por ser, só assim


Hipocrisia, me dê uma solução pra beber.



Nada é mais confuso quanto o termo alheio

Fulgaz por duração, apaixonante por engano

Hipocrisia, disfarça-te, por favor

ou não quero viver mais neste mundo.

20 de dezembro de 2012

Sobre o amor


Que mania de buscar, em qualquer ponto
um bar, um link, uma parada qualquer.


Esconda-se, eu te encontro, bendita homeopatia

Curas o enfermo, apenas com tua vontade extrema.

Mas, pena
vens só quando o sonho é leve, e a vontade já perdeu sua intensidade
sempre tardia, sempre bem vinda.


Esconda-te, eu te encontro, distante promissora
Anuncia a alvorada, apenas com tua promessa franca.


Mas, pena
Vens só quando o coração já virou ouro, frio e duro.
De bom grado, te entrego a jóia d'alma, mas deves ter o cuidado
de destruir os muros que a cercam.


Que mania de buscar, em qualquer porto
um ar, um link, aquela anônima qualquer.


Esconda-se, que eu te encontro.

14 de dezembro de 2012

Votos

Acordei filosofando hoje, então resolvi escrever meus votos de boas festas:

Tudo muda, enquanto em geral, tudo permanece o mesmo. É tênue a linha que separa o "quem somos" do "quem fingimos ser", mas todos nos dividimos assim, seja para melhorar certas atitudes, convencer certas circunstâncias ou aplicar nossos sonhos a certos horizontes. Não fingimos toda uma personalidade, mas sim característic

as, certos pontos de vista, que mudam de qualquer jeito no andar da carruagem.

Mudamos, mas mudamos do mesmo jeito que crescemos fisicamente. As mudanças acontecem lentamente, de forma que quem está perto não nota imediatamente. Só nota quem observa de longe, quem não compartilha de nossa companhia há tempos. Nos olhos de quem nos acompanha de perto, continuamos todos os mesmos, mesmo quando diferentes.

Lógico, existem acontecimentos que gravam fundo a ferro e fogo na alma. é como um acidente que deixa uma cicatriz, e nos marca para sempre. Essa sim é uma mudança imediata e perceptível.
Essas mudanças tem vários nomes: Aprendizado, experiência, trauma... Eu chamo de vida. O importante é o que fazemos com ela, como fazemos com ela e com os que nos cercam.

Enfim, ser ou fingir ser, não tem toda a importância que racionalizamos. Até porque somos todos um pouco hipócritas: o padrão é reclamar de "finge ser quem não é" apenas quando alguma coisa dá errado. Se vai tudo certo, não tem problema nenhum. Não digo que é certo ser falso, ou hipócrita, mas sim que todos estamos sujeitos a ser quem somos: Imperfeitos. E da mesma forma que o melhor dos homens pode ter uma atitude mesquinha, o pior dos bandidos é capaz de um gesto gentil. Isso não é ser quem não se é, isso é apenas ser.

Em 2013, continuo sendo Luiz Mário, tudo vai mudar, e tudo vai continuar a mesma coisa. Vou continuar fingindo ser mais do que sou, achando que sou menos do que posso ser. Melhor que ninguém, pior que ninguém. Igual e diferente.

"Shikata ga nai"

Não vou agradecer apenas aos meus, nem apenas por 2012, mas sim por toda a vida que me foi ótima até agora. Valeu ae por tudo galera, o que vem vai ser melhor ainda. Que venham as festas, o fim do mundo e tudo o mais. Que os copos tremam, que os acordes estejam afinados.

É nóis na fita =D

6 de dezembro de 2012

Fantasia

Te fantasio, por dentro e por fora

Renda, música, meia-luz

ação.

Vista-se apenas de pele, arrepiada
e não desvio de teu corpo.

Se te puxo para mais perto (e vou)
nos perdemos entre beijos

sem pudor.

Os gemidos serão apenas apelos aprovados

que me atiçam a experimentar um suave sensação:

A sua.

Me fantasie, por causa ou sofreguidão.

Calma, música, vinho tinto,

ação.

Vista-me apenas de pele, anunciada
e não desvio de seu corpo.

Se me indicas onde vou (e vou)
nos perdemos em nós mesmos

sem pudor

a sua respiração será apenas o harpejo definido

que me entrega a volúpia:

A sua.

5 de dezembro de 2012

Você

As vezes somos só você e eu

em um movimento raro, único
sublime prazer estar assim.

As vezes nada parece invadir esse momento
nesse universo, secreto
faria tudo outra vez

As vezes nos rendemos aos sentidos
que fazem suspirar
e, por dentro de meus lençois, te visito.
lúcida embriagez estar assim

Agora somos só você e eu

em um movimento brusco, suave
fecho os olhos, e faço tudo outra vez