27 de abril de 2010

(RE) - Visão

Vou fugir daqui.

P´ra bem longe,
onde teus olhos não
me alcancem ou não
possa ouvir as batidas
do teu (meu ?)
coração.

Vou fugir.

Antes que o golpe
decisivo
alcance minha cabeça...

Coração!
Olhos!
Mente!

Meu corpo inteiro.

Se eu fugir,
(e sabes que eu quero!)
por clemência,
não me venhas
procurar.

Deixa em paz
este filho da dita
dura,
que por um momento
pensou
ter encontrado seu
(meu?)
grande amor.

E respirou (quero ar!)
do vento brando
novo,
que passou
por suas terras!

Vou fugir.

E
não me venhas
com propostas
de re
conciliação.

Vou fugir e formar um ter
ritório
autoritário e meu.

Sem que teus olhos
possam me
censurar ou
tuas algemas prender minha língua...

Coração!
Olhos!
Mente!

Meu corpo inteiro.

E vou gritar minha liberdade, ler minha carta de alforria!

Até que de novo
me enganem...


Luiz de Freitas, Imbituba, 06 de março de 1986

13 de abril de 2010

Aurora

Vai, te entrega
deixa passar aquele vento
enlouquecidamente, só a sensação de um beijo...

Te descrevo, voraz e pausadamente, e você

provocante, inalcançável

Inevitável.

Vai, fica nua
simples e perfeita
te deflora ao novo dia, todo tempo é eterno em uma paixão

amanhã outra aurora toma seu lugar

Mas hoje, todo desejo é possível.
Toda realidade é infinita.

7 de abril de 2010

Ferida

Você é várias.
A que abraça
que zomba
que rasga.


E eu,
um só.

Você é muitas.
A que beija
que fere
que corta.



E eu,
um só.

Você é todas.
A que ama
que castra
que mata.


E eu,
um só.


Você é o mar.
E eu, uma ilha!



Luiz de Freitas, Imbituba, 04 de agosto de 1986.