11 de maio de 2018



E o seu brilho azul aquele, bem vivo e lúcido foi embora

Já não cabia mais nesse nosso mundinho, né?

Mas ficou um vazio no sofá

                                  na mesa

                                       no dia

                                          na alma.

Meu próprio brilho até se apaga,
só pra acender de volta com o que deixaste aqui pra gente.

Foi tanta coisa... e mesmo assim o que parece tão longo de repente ficou tão curtinho...

Mas o tempo, aquele apressado tinha que vir cobrar:

"Não posso esperar, nem mais um pouquinho. Fique com essa vertigem que nunca cura, só conforma."

Mas deixa, ficou uma lição linda

                                                   de amor

                                                             de vida

                                                                      da Nona.

E meu coração parece vazio, mas não é verdade:

Ele tá é transbordando:
pois sou o elo que ligou a gente nunca vai se apagar. Nada tira isso, nem o tempo, esse apressado.

Eu, que sempre me orgulhei de ser fácil com as palavras, hoje tropeço em cada linha, sem saber como desfazer esse nó dentro de mim que chega até a ponta dos dedos.

Queria tanto que essas fossem as minhas mais lindas palavras, tão lindas quanto um sorriso de olhinhos azuis brilhando. Mas não posso prometer isso.

Mas prometo que elas vão durar pra sempre, igual a essa saudade que eu sei que só tá começando.

Mil beijos, te amo.

Adeus minha velhinha.

1 de maio de 2018

O ruim de crescer é perceber que a realidade não condiz com o sonho,
e que o mundo é real demais pra ser coerente.

O ruim de envelhecer é descobrir tarde demais que aquilo que revelaram era verdade,
e que o tempo é real demais pra deixar algo inconsequente.

O ruim de amadurecer é notar a inutilidade de tentar revelar aquilo acumulado,
e que o sonho é real demais para perceber a realidade.

(tempo tempo enquanto o tempo só segura a rédea de leve, e passa...)

O ruim de perceber é que não adianta tentar revelar o que é verdade ou o que é sonho, mas sim que se vive querendo sonhar o avesso, e se sonha em voltar a viver o que se descobriu,
Tarde demais.



25 de abril de 2018

Dorme, meu mundinho corriqueiro. Começamos de novo: Outra noite, outro sentido.

Como se fosse Réplica sombria de todos àqueles que carregaram um sentido, um fonema, uma inspiração.

Claro, Minha função não seria de julgamento, apenas de apontar o que de óbvio se pode acolher em cada tese.


                        Fácil servir assim a tal conceito.


Porém nada é fluente.

E os sintomas que sobram em evidências de igualdade de situações, falham em mostrar exatidão nos resultados.

Tão igual, porém tão diferente. É sempre assim?

Igual ao devaneio, que muda seus sinais mas são resultados das mesmas aquarelas sombrias(...)

                                      (Sons, cores, toques e sinestesia alucinada)

                    (...)de onde nasceu.


Da prisão de onde ensaiei minha revoluta liberdade, escapo constantemente e sempre retorno, pois prisão é corpo, e a do corpo é o lar, e é bom.

No íntimo

No íntimo descubro que cada peso é como um passo
      desligando devagar da posição anterior

No íntimo descubro que a escrita é como um suspiro
      destilando incoerências sensatas em segundo plano

No íntimo descubro que a descoberta é como um

               pano


     que cobre e mostra
                       
                        levanta e cai




No íntimo descubro que sou íntimo do que descubro, cobrindo ou não.

22 de abril de 2018

Prédios perigosos cerceiam meu papel de olhar ao horizonte

mas é só fumaça que sobe, passageira.

Pena que fumaça de concreto segura muito mais a sombra que o progresso impõe

que fere a respiração livre, e mata a luz do sol.

E o céu, fica sendo só uma esperança...