19 de março de 2018

Antes os poemas eram riscos deitados no papel

           curvas em pressão contínua, como o sangue correndo na veia

Hoje são luzes apagadas numa tela

            pixels no aperto rápido, como um impulso gritando na sinapse

28 de fevereiro de 2018

Nada anormal em respirar mais fundo

          Como perceber que o comum, é só comum, e então é de boa, tranquilo

                Um pouco de brilho, um pouco de cena
                             (um pouco de tudo)

                 Dias seriam como paredes, sabe? Pequenas esperanças engarrafadas: "Amanhã vai ser melhor"?

                       Uma esperança serial, um amor com número de série, marcado na pele


          assim, disruptivo







                     des                    estru turei

12 de janeiro de 2018

Solo

E se aqui estou em um solo, ainda é por um pouco de imagem

                    talvez


                                   só talvez



Minha alma toque o solo.


E eu solo

           e solo

                      e solo

                                   e nunca fico com os pés no chão...


Imagine? Mesmo sem a posse

                  eu posso


                                  e

                                        solo


                                                 se alma ou se música

10 de janeiro de 2018

Depressa me passe um arpão.
Vou agarrar aquela chance matreira que tenta passar despercebida.

Ih, era só uma decepção, daquelas sutis. Já já outra aparece.

Olha, agora é pra valer: Tem uma oportinudade, por pouco não desandou e sumiu vida adentro...

Ou seria uma monotonia? Quem sabe um devaneio preguiçoso?

E quem liga?

6 de janeiro de 2018

E enquanto meu velho me cobra os poemas que eu tanto queria conseguir escrever
dou desculpas, como se não fosse digno de criar alguma coisa que pudesse estar no seu livro.

"Não consegui escrever nada..." Me desculpo.
"Só hoje escrevi cinco" Diz o mestre, coberto de razão.

Não é sobre "escrever"... é mais ou menos como "sobrescrever"...

Crio um verso sem rima, crio um mundo sem fim. E como criança crio cada verso de meu pai.

Não escrevo, mas escrevo em cada linha que leio e minha mente abriga. És meu, sou teu e somos um, coisa que sempre estivemos destinados: Pai e filho com nome Luiz Freitas. E - único maior desafio - carrego com orgulho ímpar.

E partir (a partir) do princípio de continuar alguma coisa considerada perfeita é sempre colocar a prova aquele poema. É sempre jogar a palavra ladeira abaixo. Ainda assim "roubei" o poema do meu pai como meu.

E ele me deu.

Uma coisa mais valiosa que qualquer coisa material. Ele me deu legado.

Me deu propósito.