Hoje foi difícil.
Porém não estão sendo difíceis TODOS os dias? Claro, em maior ou menor grau, mas ainda assim, difíceis.
Essa minha racionalização louca, em todos os aspectos realmente pode ser uma fuga. Racionalizando em vez de viver: sobre meu pai, sobre meus amigos, sobre minha filha, sobre a relação que acabou de acabar... Busco tentar explicar, me encaixar.
Me agarro no que eu considero ideal em vez de viver no real.
E todas as projeções e medos, todas as reações e ressentimentos, vontades e delírios ficam sem o sentido que no fundo no fundo, já não faziam muito sentido mesmo.
Tenho que dar o braço a torcer: realmente ela estava (parcialmente) certa quando me dizia que eu não podia tentar adivinhar o que ela sentia. Realmente, não posso. Não posso adivinhar nem racionalizar nada... Mas posso inferir, e no final eu tinha certa razão: Sentia muito menos do que o menos que eu achava.
Mas hoje não foi sobre isso. Hoje foi sobre Luiz Mário, seu lugar no mundo e em si mesmo. Sobre como eu tenho tanto medo de depender emocionalmente dos outros mas na verdade eu tenho medo de me encarar no espelho, de como pode ser difícil para mim existir dentro de minha cabeça. Sobre como eu reajo e deixo de ser eu mesmo no desespero de tentar mostrar como me machucaram.
Sobre como minha demanda de amor é tão certeira: dentro de todas as dúvidas da minha vida, sou tão certo dos meus sentimentos sobre o que (e quem) me cerca que não entendo bem o mundo dos outros. Tenho tanta certeza de meu amor, sem duvidar de mim, que minha demanda de amor não é mandar embora e buscar de novo, mas sim de ter tanto afeto quanto desejo ao outro, quando quero dar a quem quero. Vejo tão claramente quando amo, que me dói demais sufocar esse amor e deixá-lo morrer de fome. Mas isso não é defeito: me permite também ver a hora de me retirar, pois amor-próprio também é amor, e talvez seja por isso que não me arrependo, não mudo de ideia tempos depois. Sou o que sou, mesmo querendo buscar sentido.
Quero tanto saber SER alguma coisa que eu me esqueço que eu tenho que simplesmente "ser"
Racionalizo e tento explicar tanta coisa, e provavelmente procuro explicar e racionalizar o que não pode ser explicado nem racionalizado. A doença do meu Pai simplesmente é. O término simplesmente é. E pronto. Explicar não vai mudar nada. A minha vida e meu lugar nela simplesmente somos. Claro, de forma ponderada: as mudanças positivas são bem vindas, sempre.
O propósito que tanto busco pode estar por perto, procurando pouso quando eu permitir.
E essa é a minha missão para a semana: ser eu mesmo, sem racionalizar demais. Instinto com cuidado. Não vou me esconder em garrafas ou fumaças: nada de bebidas ou fumo para mim até a próxima terça. Minhas angústias serão sublimadas artisticamente ou ficarão no peito.
O processo não foi fácil, hoje. Mas nunca foi fácil mesmo, e já esteve muito mais difícil.
Nenhum comentário:
Postar um comentário