26 de dezembro de 2020

 É tão estranho.

Juro.

   E são tantas os passos de dança que esse ano brincou, que é até estranho... Um caleidoscópio maluco dentro de uma montanha russa que jogou minha alma em um liquidificador cósmico e meteu um resultado que eu nunca esperaria. Pensei tanto em karma, em afeto, sentimentos e reciprocidade. Pensei tanto em apego, migalhas, responsabilidade e apoio: emocional ou sincero.

 "Teu amor é frágil, e o frágil dói", disse meu amigo. Mas qual sentimento não é frágil? Se magoa por qualquer passo, se destrói por desacerto. E o que parecia firme, o que soava vínculo duradouro simplesmente se quebra. Muitas, e muitas vezes. Somos usados como apoio, usamos como escudo. E de que adianta? Cada um busca o que busca, e o esforço do outro nada significa quando não estamos no mesmo paralelo.

Uma tijolada na vitrine, uma ponte de vidro.

Shikata ga nai. E tudo continua, da melhor forma que pode continuar: anseios se renovam, vínculos frios tomam calor, novos horizontes de acertam. Conexões que pareciam eternas se apagam, nomes frequentes se tornam estranhos e vice versa. Alguns até tomam os dois caminhos.

E é até curioso: sabe, dizem que quando se compra um carro novo, começam a brotar na rua carros iguais. Na verdade, sempre estiveram lá, mas a gente não notava. O mesmo acontece com os nomes: não notávamos, mas depois que entram dentro de você e balançam tudo por lá, pronto. Nunca mais vai poder ver/ouvir esse nome sem a consciência de que "um dia isso mexeu comigo".

Até me pergunto, tendo nome composto: será que lembram de mim ou ouvir o meu pela metade? Nunca vou saber.

No desenvolver de um ano que mais parecia um rafting sem remo, muitas coisas se parecem certas. Acontecimentos, decisões (e mais decisões) de todos os lados que martelam firme, lembrando a cada batida que o coração não está errado em bater: o erro é de quem interpreta errado essa música.

Nada é arrependimento, nem a pétala que acaricia, nem o espinho que arranha. Cada um tem seu céu, e o máximo que podemos fazer é compartilhar um pouquinho do nosso, torcendo para que cada instante seja suficiente para virar outro instante, até que anoiteça (ou amanheça). 

Assim aquele dia pode ser gravado como inesquecível, aquela noite pode se iluminar eterna. Assim, aquela conversa pode virar poema, e aquele momento, uma canção. 

A o ano passou em um passo aceleradamente preguiçoso, violentamente didático e intensamente profético: As intuições estavam certas, porém os sentimentos também tinham sua razão. Os resultados foram anunciados, mas as lições nas entrelinhas TINHAM que ganhar vida, precisavam dar forma ao coração. Todos os erros precisavam ser cometidos, de forma que se debatessem dentro do espírito e virassem determinada lição.

Toda razão, mesmo aquela que não tem sanidade, é razão de ser. E aqui não houve ponto fora da curva.

Ok, um ponto fora da curva esse ano, inesperado e não cultivado... Que por qualquer motivo cresceu (oras, até no lixão nasce flor) e pregou na eternidade do meu peito um símbolo. 

Lições, frases de efeito

E ninguém tem uma sugestão correspondente, ninguém tem um remédio milagroso.

Tudo é pena: pena que não fiz assim, pena que não fizeram assado.

E no fim, é tudo caos. Dentro, fora e em volta. Caos calmo, muitas vezes controlado. Mas existente, mesmo assim.

E daquele do início, restou pouco. Diria até que trocaram a alma desse pobre corpo, que mecanicamente se arrastou do princípio ao fim, durante todo esse tempo buscando manter uma essência

mal sabendo que em muitas vezes, mudar a essência é o que se precisa.

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