29 de julho de 2020

Nesses meses de desgosto

E no fundo de todos os olhares
onde já moravam outros amores
E as vezes que te segurei com os braços, foi como se eu tentasse empurrar um pouco do meu para dentro de você, de novo

Mas tudo muda, inclusive os corações e o que temos dentro do nosso 
só me restaram algumas lágrimas iluminadas pelas velas e poemas

nesses meses de desgosto

não foi a primeira vez, e tudo bem
os amores são únicos, em idas e vindas, nascem e morrem em seu próprio tempo. O amor é puro, mas as pessoas corrompem as lembranças que ficariam na saudade da memória do que não foi

Quem chega hoje? Quem vai embora amanhã?


Não adianta mais pensar: se eu tivesse tempo de fazer diferente

não faria diferença

Apenas me machucaria (de novo) vendo você dormir mais uma vez, na ilusão de que você estava ali de corpo E alma

Porque se você quisesse me amar, não teria sido assim

nesses meses de desgosto

Todos precisamos de tempo

                              e nada dá mais tempo que um ponto final

Porque quando o medo venceu, todas aquelas sombras se mostraram mais fortes que uma pálida luz que cantou o quanto pôde, mas a noite mais densa chega, e só restaram cinzas e fagulhas

nesses meses de desgosto

Mas mesmo que pareça impossível, mesmo os corações mais partidos podem se acordar, os sentimentos mais batidos podem se musicar

e vamos, as vezes mais cedo, as vezes mais tarde... mas é inevitável

Porque mesmo que pareça que o mundo quer ferir, conspirar, marcar e deixar tudo nessas mesmas sombras, o ponto final vira semente onde nasce novo florir

E desses meses de desgosto, a chuva recicla a solitude em versos coloridos de novas nascentes


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