E no fundo de todos os olhares
onde já moravam outros amores
E as vezes que te segurei com os braços, foi como se eu tentasse empurrar um pouco do meu para dentro de você, de novo
Mas tudo muda, inclusive os corações e o que temos dentro do nosso
só me restaram algumas lágrimas iluminadas pelas velas e poemas
nesses meses de desgosto
não foi a primeira vez, e tudo bem
os amores são únicos, em idas e vindas, nascem e morrem em seu próprio tempo. O amor é puro, mas as pessoas corrompem as lembranças que ficariam na saudade da memória do que não foi
Quem chega hoje? Quem vai embora amanhã?
Não adianta mais pensar: se eu tivesse tempo de fazer diferente
não faria diferença
Apenas me machucaria (de novo) vendo você dormir mais uma vez, na ilusão de que você estava ali de corpo E alma
Porque se você quisesse me amar, não teria sido assim
nesses meses de desgosto
Todos precisamos de tempo
e nada dá mais tempo que um ponto final
Porque quando o medo venceu, todas aquelas sombras se mostraram mais fortes que uma pálida luz que cantou o quanto pôde, mas a noite mais densa chega, e só restaram cinzas e fagulhas
nesses meses de desgosto
Mas mesmo que pareça impossível, mesmo os corações mais partidos podem se acordar, os sentimentos mais batidos podem se musicar
e vamos, as vezes mais cedo, as vezes mais tarde... mas é inevitável
Porque mesmo que pareça que o mundo quer ferir, conspirar, marcar e deixar tudo nessas mesmas sombras, o ponto final vira semente onde nasce novo florir
E desses meses de desgosto, a chuva recicla a solitude em versos coloridos de novas nascentes
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