25 de dezembro de 2022

 Me pega, toma meu ar

       que eu dou troco em afago

            me afeta até o afeto

 cansado de me escutar


Me toma, me beija a razão

       que eu desato a cantar

             me morde até o mordaz

surrado de não querer


Me entende, me pega na mão

        que eu me passeio em rimar

                hoje sim, amanhã talvez

espere o que esperar


Me chama,                 me queima

    recrimina meu crime

         pois dito que é sonho teimoso

             aquele que se põe

                na ponta do olhar


Me conta, qual é tua sina

      e depois vem aqui cochichar

           em pé, ou no pé do cochilo

pois tarde é poesia de infinitivo largado


e a minha não tem nome



                   

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