23 de janeiro de 2021

 Ai de mim
que vim de calma e vou descansar em vento
e deito frente ao tanto que quero
mas amanhecer não significa futuro

ai de mim
que me desfaço em contos sóbrios
e bebo mais um pouco em canto
na cama de flores que seriam
mas entardecer é inevitável

ai de mim
que em futuro já espero sem ansiedade
e tomo jeito em flagrar o óbvio
nas paredes da vaidade

ai de mim

amanhã já vem, e vai ser um fim

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