A noite agoniza.
Zumbis sonolentos
invadem a área do porto.
Arco-íris multicolorido acende a Praia da Vila.
Corpo apagado, meu dia não brilha.
Mãe, me deixa dormir!
Meu calvário já vai começar.
Meu blues agoniza.
Um último gole esvazia meu copo.
A fumaça do último cigarro,
na Zimba, some no ar.
Do Kinka’s Bar.
Mãe, me deixa dormir!
Meu calvário já vai começar.
Operários do porto
invadem meu sonho.
Meu quarto, minha noite.
Minha guitarra, minha paz:
minhas mulheres da beira do cais.
Mãe, me deixa dormir!
Meu calvário já vai começar.
Um quarto escuro remoça minha noite.
Fedor de cigarro.
O álcool em meu travesseiro.
Minha cama, meu disco de blues.
Sonhos noturnos, borboletas azuis.
Mãe, me deixa sonhar.
Me deixa minha noite.
Me deixa viver.
Luiz “Pi” de Freitas
Zimba, 21/08/05
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